Desde o Projeto 365 Canções (2010), o desafio é ser e estar à escuta dos cancionistas do Brasil, suas vocoperformances; e mergulhar nas experiências poéticas de seus sujeitos cancionais sirênicos.
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01 novembro 2026
A todo vapor: o tropicalismo segundo Gal Costa
Dividido em três partes - Gracinha, Gal Costa e Maria da Graça -, o livro A TODO VAPOR: O TROPICALISMO SEGUNDO GAL COSTA mapeia e analisa o amadurecimento da cantora alçada a porta-estandarte do movimento ético e estético que rejuvenesceu a cultura brasileira em plena ditadura militar, enquanto Caetano e Gil sobreviviam no exílio. Taissa Maia se pergunta "onde estavam as mulheres?", já que a história do período é sempre centrada nas figuras incontornáveis de Caetano Veloso e Gilberto Gil. "O corpo que performa não foi um objeto de estudo privilegiado, e o resultado disso foi a secundarização de mulheres como Gal Costa", avalia a autora, que mescla biografemas e o corpo em cena, a fim de defender que Gal "pensou com o corpo". Para Taissa, "Gal não foi um receptáculo das canções compostas por Caetano, Gil e os outros. Ela também as criou, a partir de sua intepretação". Ou seja, "Gal dá o sopro de vitalidade ao eu lírico que fala com a menina chamada Baby ["Baby", de Caetano Veloso] e à filha que pede coragem a sua mãe ["Mamãe, coragem", de Torquato Neto e Caetano Velo]", no disco manifesto "Tropicália ou panis et circensis" (1968). Ao mesmo tempo, em sua performance de "Divino, Maravilhoso" no IV Festival de MPB da Record, "Gal Costa renascia como uma mulher". O grito incorporado pela bossanovista Gracinha incomodou os costumes. "Ela chegou a ser chamada na rua de 'macaca', 'suja' e 'piolhenta'", registra Taissa, que defende que "a identificação das pessoas se deu porque a estética se propunha a 'dizer o que sente e sentir o que diz'". Ao colocar Gal no centro, a autora reconfigura atos e procedimentos tropicalistas. "O auge dessa experimentação se dá com o show Fa-tal (1971), depois vem Índia (1973) e, então, há uma declínio e um novo aceno com Recanto (2011)", lemos. O livro segue a autoria vocoperformática de Gal até o derradeiro disco, antes da morte da cantora em 2022, sempre defendendo o gesto interpretativo como aquilo que autoriza o conteúdo verbimusical das canções. A TODO VAPOR: O TROPICALISMO SEGUNDO GAL COSTA é ensaio é reconhece o poder do algo mais e da alegria Gal.
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