Desde o Projeto 365 Canções (2010), o desafio é ser e estar à escuta dos cancionistas do Brasil, suas vocoperformances; e mergulhar nas experiências poéticas de seus sujeitos cancionais sirênicos.
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17 dezembro 2013
O que é canção? Wado
- O que é a canção?
Canção é uma manifestação humana das mais antigas, cantar e entrar em transe vem de períodos pré-históricos, é de antes da cisão da poesia e da música.
- De onde vem a canção?
Considero canção algo pouco racional, em seu âmago, lógico que pode se sofisticar ela mas não é, por natureza, um território da razão.
- Para que cantar?
Cantar por necessidade da espécie, cantar é quase tão necessário quanto comer.
- Cite 3 artistas que são referências para o seu trabalho.
Lucas Santtana, Cícero, Camelo.
05 dezembro 2013
Azul vazio
"Bactérias num meio é cultura". O verso de Arnaldo Antunes ("Cultura", 1993) joga com a ideia da micro cultura assistida de bactérias como promotora da compreensão científica desses organismos, a fim de apontar através de desvios semânticos a nossa própria macro cultura: essa sistematização do conhecimento.
Os elementos ordinários pinçados e problematizados pelo sujeito da canção questionam a aparência cultural das coisas - "o escuro é a metade da zebra / as raízes são as veias da seiva / o camelo é um cavalo sem sede / tartaruga por dentro é parede" - e ao fazer isso engendra a aparição destas coisas (notadamente) ordinárias.
A distinção entre aparência e aparição é radical e importante. Vide Adorno. Como uma obra de arte fala "apenas" que ela (obra) existe, e não do que existe fora dela, no meio (na cultura) onde existimos, o sujeito criado por Arnaldo destrava nosso olhar científico e adestrado sobre a aparência das coisas e, consequentemente, sobre nós mesmos, sugerindo uma experiência de mundo na arte, em que os objetos surgem como aparições para logo em seguinte desaparecerem.
É deste modo que "a cegonha é a girafa do ganso / o cachorro é um lobo mais manso". Essas informações, ou melhor, este saber não é científico, mas nos permite des-conhecer coisas cientificamente já catalogadas, e, melhor, gera pensamento. Dito de outro modo, a arte restaura o desconhecimento do mundo desencantado pela ciência. Ou seja, o sujeito da canção de Arnaldo Antunes re-encanta o mundo, restaurando o desconhecimento de mundo, via objetos selecionados. Todos os objetos aparecem aqui para serem estranhados, desconhecidos e só deste modo podemos re-des-aprender a olhá-los.
Escrevo isso para comentar a canção "Azul vazio" (Disco, 2013), de Arnaldo Antunes e Marcia Xavier, cujos versos "serpete serpenteia o rio / percorre corre em minha veia / a correnteza o coração bombeia / o rio navega e lava / o pensamento leva / o corpo todo / como um navio" parecem se aproximar da busca pelo ordinário presente em "Cultura".
Antes, preciso dizer que interpreto a capa de Disco de Arnaldo Antunes como um "negativo" da obra Disco (1978) de Waltercio Caldas (ver livro Manual de ciência popular). E vice-versa. Ambos como proposições artísticas da dúvida em relação àquilo que ainda chamamos disco, no caso do primeiro, e daquilo que o barbante branco-feito-raio amarrado ao vinil instaura como dissonância no preto, no caso do segundo.
Os elementos ordinários pinçados e problematizados pelo sujeito da canção questionam a aparência cultural das coisas - "o escuro é a metade da zebra / as raízes são as veias da seiva / o camelo é um cavalo sem sede / tartaruga por dentro é parede" - e ao fazer isso engendra a aparição destas coisas (notadamente) ordinárias.
A distinção entre aparência e aparição é radical e importante. Vide Adorno. Como uma obra de arte fala "apenas" que ela (obra) existe, e não do que existe fora dela, no meio (na cultura) onde existimos, o sujeito criado por Arnaldo destrava nosso olhar científico e adestrado sobre a aparência das coisas e, consequentemente, sobre nós mesmos, sugerindo uma experiência de mundo na arte, em que os objetos surgem como aparições para logo em seguinte desaparecerem.
É deste modo que "a cegonha é a girafa do ganso / o cachorro é um lobo mais manso". Essas informações, ou melhor, este saber não é científico, mas nos permite des-conhecer coisas cientificamente já catalogadas, e, melhor, gera pensamento. Dito de outro modo, a arte restaura o desconhecimento do mundo desencantado pela ciência. Ou seja, o sujeito da canção de Arnaldo Antunes re-encanta o mundo, restaurando o desconhecimento de mundo, via objetos selecionados. Todos os objetos aparecem aqui para serem estranhados, desconhecidos e só deste modo podemos re-des-aprender a olhá-los.
Escrevo isso para comentar a canção "Azul vazio" (Disco, 2013), de Arnaldo Antunes e Marcia Xavier, cujos versos "serpete serpenteia o rio / percorre corre em minha veia / a correnteza o coração bombeia / o rio navega e lava / o pensamento leva / o corpo todo / como um navio" parecem se aproximar da busca pelo ordinário presente em "Cultura".
Antes, preciso dizer que interpreto a capa de Disco de Arnaldo Antunes como um "negativo" da obra Disco (1978) de Waltercio Caldas (ver livro Manual de ciência popular). E vice-versa. Ambos como proposições artísticas da dúvida em relação àquilo que ainda chamamos disco, no caso do primeiro, e daquilo que o barbante branco-feito-raio amarrado ao vinil instaura como dissonância no preto, no caso do segundo.
No Disco de Waltercio, o buraco-núcleo, por onde o objeto se encaixa na vitrola para tocar, foi ocupado pela passagem de um barbante-cordão-de-pão que se laça formando um raio. O Disco perde o seu miolo, ou seja, torna-se impossível saber aquilo que o disco guarda nas suas faixas, nos sulcos que uma agulha, interditada pelo raio-barbante, libertaria.
Se a princípio um disco é um conjunto-aparelho de guarda e reprodução de canções/músicas, nos casos mencionados vemos instaurada uma renúncia a tal percepção. Tanto Waltercio quanto Arnaldo singularizam o objeto para melhor apresentá-lo no mundo. Isso é um disco? Mas o que é um disco? É um disco disco? Esta "desorientação didática" está na base da arte.
Por um breve instante, antes que eles desapareçam no cotidiano, ao olharmos os dois discos esquecemos aquilo que sabemos ser um disco. Afinal eles tem a aparência de um disco. No entanto, algo está deslocado, o sentido daquilo que define um disco se rebelou e percebemos isso, pois os discos não se submetem às nossas expectativas cientificamente construídas. Eis a aparição. "se a vida não faz sentido / porque é que morrer / haveria de fazer? ("Sentido", Arnaldo Antunes e Nando Reis), canta Arnaldo.
No Disco transparente-branco-de-miolo-preto de Arnaldo temos o encontro de estilos variados, canções de vários períodos. O disco acolhe canções, não é cofre, apenas guarda. Sua frente-vinil-branca indicia essa aglutinação de várias matizes sonoras - "Só eu fico dentro do meu branco pra quando Oxalá chegar". Já o verso do estojo imita o verso de um cd pirata, destes sem encartes que encontramos oferecidos por ambulantes/camelôs em várias partes da cidade.
O conjunto irregular, não linear das canções que constituem Disco reflete também a recusa em relação à obrigação de escolha. Arnaldo prefere não escolher, junta, monta, constrói: da bossa ao tecnobrega. "Página vazia, melodia / onde é que a palavra vai cair? / onde vai cair? / acho que ela vai aterrissar em território perigoso" ("Sou volúvel", Arnaldo Antunes, Marisa Monte e Dadi Carvalho), canta adiante. Além de: "tem muito pouca dúvida e muita razão / tem muito pouca ideia e muita opinião / muita pornografia e muito pouco tesão / muita cerimônia e muito pouca educação ("Muito muito pouco", Arnaldo Antunes).
O engenho do gesto de empreender o conjunto de objetos sonoros avulsos tão aparentemente díspares é a tônica do disco de Arnaldo. "A modernidade agora vai durar pra sempre, dizem / toda a tecnologia / só pra criar fantasia // deuses e ciência / vão se unir na consciência, dizem / vivermos em harmonia / não será só utopia" ("Dizem (Quem me dera)", Arnaldo Antunes, Marisa Monte e Dadi Carvalho).
Se destaco "Azul vazio" é porque percebo na lírica de sua letra a condensação da busca pelo comum, pelo ordinário que mencionei anteriormente e que atravessa todas as canções. A imagem de um rio que só tem o olho d'água, que não tem beira, nem desagua no mar, que cresce sem se expandir é forte e rompe com a noção de perenidade que temos diante da duração das coisas. Tudo desagua no azul vazio. Vazio de que? Azul de Matisse?
Se a princípio um disco é um conjunto-aparelho de guarda e reprodução de canções/músicas, nos casos mencionados vemos instaurada uma renúncia a tal percepção. Tanto Waltercio quanto Arnaldo singularizam o objeto para melhor apresentá-lo no mundo. Isso é um disco? Mas o que é um disco? É um disco disco? Esta "desorientação didática" está na base da arte.
Por um breve instante, antes que eles desapareçam no cotidiano, ao olharmos os dois discos esquecemos aquilo que sabemos ser um disco. Afinal eles tem a aparência de um disco. No entanto, algo está deslocado, o sentido daquilo que define um disco se rebelou e percebemos isso, pois os discos não se submetem às nossas expectativas cientificamente construídas. Eis a aparição. "se a vida não faz sentido / porque é que morrer / haveria de fazer? ("Sentido", Arnaldo Antunes e Nando Reis), canta Arnaldo.
No Disco transparente-branco-de-miolo-preto de Arnaldo temos o encontro de estilos variados, canções de vários períodos. O disco acolhe canções, não é cofre, apenas guarda. Sua frente-vinil-branca indicia essa aglutinação de várias matizes sonoras - "Só eu fico dentro do meu branco pra quando Oxalá chegar". Já o verso do estojo imita o verso de um cd pirata, destes sem encartes que encontramos oferecidos por ambulantes/camelôs em várias partes da cidade.
O conjunto irregular, não linear das canções que constituem Disco reflete também a recusa em relação à obrigação de escolha. Arnaldo prefere não escolher, junta, monta, constrói: da bossa ao tecnobrega. "Página vazia, melodia / onde é que a palavra vai cair? / onde vai cair? / acho que ela vai aterrissar em território perigoso" ("Sou volúvel", Arnaldo Antunes, Marisa Monte e Dadi Carvalho), canta adiante. Além de: "tem muito pouca dúvida e muita razão / tem muito pouca ideia e muita opinião / muita pornografia e muito pouco tesão / muita cerimônia e muito pouca educação ("Muito muito pouco", Arnaldo Antunes).
O engenho do gesto de empreender o conjunto de objetos sonoros avulsos tão aparentemente díspares é a tônica do disco de Arnaldo. "A modernidade agora vai durar pra sempre, dizem / toda a tecnologia / só pra criar fantasia // deuses e ciência / vão se unir na consciência, dizem / vivermos em harmonia / não será só utopia" ("Dizem (Quem me dera)", Arnaldo Antunes, Marisa Monte e Dadi Carvalho).
Se destaco "Azul vazio" é porque percebo na lírica de sua letra a condensação da busca pelo comum, pelo ordinário que mencionei anteriormente e que atravessa todas as canções. A imagem de um rio que só tem o olho d'água, que não tem beira, nem desagua no mar, que cresce sem se expandir é forte e rompe com a noção de perenidade que temos diante da duração das coisas. Tudo desagua no azul vazio. Vazio de que? Azul de Matisse?
***
Azul vazio
(Arnaldo Antunes / Marcia Xavier)
ouve só se ouve ouvir
o rio só se ouve quem
de longe lá de onde vem
o rio daqui se ouve bem
de dentro ecoa a água
que deságua no azul vazio
serpete serpenteia o rio
percorre corre em minha veia
a correnteza o coração bombeia
o rio navega e lava
o pensamento leva
o corpo todo
como um navio
um rio que não tem beira
por um fim abismo cachoeira
onde desaguar
se não tem mar
e não tem margem
só o olho d'água
brota espelho molha
o azul do céu
(Arnaldo Antunes / Marcia Xavier)
ouve só se ouve ouvir
o rio só se ouve quem
de longe lá de onde vem
o rio daqui se ouve bem
de dentro ecoa a água
que deságua no azul vazio
serpete serpenteia o rio
percorre corre em minha veia
a correnteza o coração bombeia
o rio navega e lava
o pensamento leva
o corpo todo
como um navio
um rio que não tem beira
por um fim abismo cachoeira
onde desaguar
se não tem mar
e não tem margem
só o olho d'água
brota espelho molha
o azul do céu
03 dezembro 2013
O que é canção? Arthur Nogueira
- O que é a canção?
É o malabarismo, como diz Luiz Tatit, entre melodia, harmonia e letra.
- De onde vem a canção?
Do embate individual e concreto do artista com tudo aquilo que o distingue enquanto ser. Portanto, a canção em minha vida surge da minha vontade, do meu trabalho (o que João Cabral chamava de "transpiração") e de acontecimentos, lugares, paixões, sensações, livros e de diálogos com artistas que admiro.
- Para que cantar?
Para estar em comunicação com os outros e comigo mesmo. Considero que as canções, tanto aquelas em que escrevi a letra quanto as outras, em que tomo para mim um poema ou uma letra de outra pessoa, são a minha melhor forma de expressão. Consequentemente, o processo de criação é uma poderosa forma de autoconhecimento, que me estimula como nenhuma outra atividade.
- Cite 3 artistas que são referências para o seu trabalho. Por que estes?
Caetano Veloso, Jards Macalé e Adriana Calcanhotto, porque me abriram as portas para a poesia desde muito cedo. E porque fizeram, respectivamente, Cajuína, Sem Essa (em parceria com Duda Machado) e Inverno (em parceria com Antonio Cicero).
19 novembro 2013
O que é canção? Déa Trancoso
- O que é canção para você?
A canção é uma espécie de milagre permitido pelo som. uma equação delicada e sofisticadíssima entre o som e a palavra (que também tem som). nessa equação, o som, cavalheiro elegante, passa o comando para a palavra. para mim, quem conduz a canção é a palavra. a palavra pulsa a canção. é o seu coração. o som na canção é água de rio: corre por entre, por sobre e dos lados da palavra.
- De onde vem a canção?
Vem pela nuca. vem da vontade intrínseca do homem em compreender o Caminho. a poesia é uma estrada privilegiada diante da nossa condição humana: somos desconhecidos de nós mesmos. não sabemos aonde isso vai dar e se vai dar em algo. a poesia nos salva. a canção é talvez o mais rico exercício poético. junta a linguagem, que nos especifica, com a música, que nos transcende. então, a canção é um dos mais poderosos combustíveis para o grande veículo da encarnação que é para mim a Consciência.
- Para que cantar?
Cantar melhora tudo. o canto é um mestre. mostra que eu não sou aquilo que penso que sou. quando canto toco aquilo que não tem nome. cantar me salva de mim mesma.
- Cite 3 artistas que são referências para o seu trabalho. Por que estes?
Cássia Eller. Ná Ozzetti. Clementina de Jesus.
Cássia Eller tinha um canto poderoso, homogêneo, que lançava ondas sonoras que se tivessem sido medidas a gente veria que a frase saía de sua boca com uma força e chegava no nosso ouvido com a mesma força. não perdia nada no meio do caminho. era uma qualidade de seu canto, de sua natureza de cantora e da plataforma que ela escolheu para se expressar que foi o rock. o seu canto tinha uma "certeza" que desafiava paradoxalmente o seu ser. sempre achei que quando ela cantava entrava em contato com sua estrela e quando não estava cantando era puro conflito. eu a observei muito durante sua estadia no planeta e a vi ao vivo uma vez num show em Belo Horizonte. para mim, uma das mais verdadeiras artistas do Brasil.
Ná Ozzetti tem um dos cantos mais inteligentes que já ouvi. a liberdade absoluta na emissão e na pronúncia das palavras dentro da musicalidade da canção é invejável e se esse pioneirismo ainda não foi devidamente creditado a ela em vida, um dia será. isso sem falar nos mistérios de seu timbre. ela usa com uma consciência absurda esses mistérios e o resto de seus atributos artísticos. ouço desde sempre.
Clementina de Jesus é um espelho. eu olho para mim e a vejo. a rusticidade do timbre, a irregularidade da emissão e uma doçura extrema criam um conjunto intrigante e singularíssimo. é como se o canto fosse a arena escolhida para a serenidade. uma natureza guerreira que se suaviza no canto. assim me sinto. assim foi Clementina.
12 novembro 2013
O que é canção? Felipe Cordeiro
- O que é canção para você?
Canção, no caso de estarmos falando de canção popular no Brasil, é a simbiose entre letra e música. Neste caso, uma coisa existe em função da outra, sendo rigorosamente equivocada, na minha opinião, a análise que desmembra arbitrariamente a letra da música.
- De onde vem a canção?
A canção, no caso brasileiro, vem da mestiça tradição que une basicamente as "cantigas" portuguesas com os refrões africanos e o sentimento telúrico indígena.
- Para que cantar?
Pra espantar todo mal.
- Cite 3 artistas que são referências para o seu trabalho. Por que estes?
Chico Science, Alípio Martins, Caetano Veloso.
05 novembro 2013
O que é canção? Simone Mazzer
Simone Mazzer
- O que é canção para você?
A canção é o que sustenta o ritmo da minha vida.
- De onde vem a canção?
A canção vem de onde nossos sentidos permitem. É preciso estar aberto, ouvidos livres para saber ouvir.
- Para que cantar?
O cantar pra mim é um complemento vital. É o meu jeito de me comunicar com o mundo.
- Cite 3 artistas que são referências para o seu trabalho. Por que estes?
Ângela Maria, pela persistência e fé na música. Billie Holiday, pelo amor que ela sentia pela música. Elis Regina, pela forma que se colocou na vida, na música, pela música.
29 outubro 2013
O que é canção? Marcia Castro
Marcia Castro
- O que é canção para você?
Pra mim, canção é um tipo de composição musical popular destinada ao canto e cujos elementos evocam esse canto, a partir do momento que criam uma espécie de reconhecimento no interlocutor.
- De onde vem a canção?
A canção vem da necessidade de comunicar de modo abrangente sentimentos nossos que são comuns a várias pessoas, daí o seu caráter popular.
- Para que cantar?
Cantar para existir no mundo, com nossas sensações, nossos pertencimentos e desencaixes, de modo que encontremos os interlocutores que tenham afinidade com o nosso universo e criem reverberações. Música é um modo de existir.
- Cite 3 artistas que são referências para o seu trabalho. Por que estes?
GILBERTO GIL: por traduzir em canção, de modo tão singelo, sentimentos tão complexos, tão incomuns. E ainda trazendo para sua música uma experiência de corpo, chegando de modo certeiro nas diversas subjetividades. TOM ZÉ: pelo experimentalismo constante em sua obra, filosofando a vida através da música. GAL COSTA: pelo canto. a voz fluida, o timbre perfeito, as divisões rítmicas complexas e intuitivas. um lugar a se chegar.
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