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29 março 2026

Inesquecíveis


"Onde estavam as mulheres?", é o que nos perguntamos quando estamos em sala de aula estabelecendo alguma historiografia da poesia no Brasil. "Estavam escrevendo poemas", é o que nos respondem Ana Rüsche e Lubi Prates. INESQUECÍVEIS é um livro que percorre quatro séculos construindo uma história constelar que vai de Ângela do Amaral Rangel, nascida em 1725, até as poetas contemporâneas. Com uma preciosa seleção de poemas, o livro é divido em capítulos que reúnem "poetas nascidas no Brasil Colônia", "poetas nascidas no Brasil Império", "poeta nascidas no Brasil República até 1940" e "poetas nascidas de 1940 a 1970". Cada conjunto de poemas é precedido de um texto que comenta contexto, poética e versos. Fica evidente a implicação política dos poemas e das poetas, com os temas do aconselhamento e da liberdade presentes enquanto força ética. "Se as poetas nascidas durante o período do Brasil Colônia foram responsáveis por ajudarem na constituição de uma ideia de nação independente e de uma estética mais próxima à dicção popular, considerando as influências árcades e a posterior primazia do romântico, as poetas nascidas no período imperial ampliaram os caminhos criativos possíveis do fazer poético, apresentando formas literárias diversificadas", lemos. E "Se no século XIX encontramos muitas poetas que dedicaram a vida ao ensino de mulheres, no século XX vamos encontrar as que dedicaram a vida à conquista de direitos e também ao fortalecimento da obra de outras mulheres", lemos no capítulo seguinte. Por sua vez, as poetas nascidas depois de 1940, marcadas pelo autoritarismo da ditadura, "vão inventar muitas brechas para colocar seus poemas e ideias no mundo, cruzando as fronteiras das décadas sombrias até amanhecerem conosco no século XXI, quando a produção poética escrita por mulheres se tornará abundante". Destaca-se em INESQUECÍVEIS a importância que Ana Rüsche e Lubi Prates dão à pesquisa, notadamente, as desenvolvidas nos programas de pós-graduação das universidades (na maioria) públicas. São muitos os artigos e as teses consultados e citados. Como toda revisão antológica, há ausências. Mas Ana Rüsche e Lubi Prates deixam o convite: "É provável, ao chegar a esse capítulo [final], que algum nome amado em sua biblioteca ou conhecido em seu sarau não tenha aparecido nestas páginas. Se isso aconteceu, por favor, celebre esse nome. Inesquecíveis são todas as mulheres que produzem poesia e fazem nosso coração vibrar".

2 comentários:

Lorena de Lima disse...

Olha só. Primeiro eu encontrei o blog 365 Canções Brasileiras quando procurava um outro que eu lia lá em 2019 mas não o achei. Hoje entrei no blog pra saber qual era a música correspondente ao dia e lá estava mencionando o bendito blog que não havia encontrado. Aí já começou a felicidade. E depois ela veio muito maior quando descobri que o autor ainda mantem ativo um outro blog, porque pra minha "desfelicidade" (palavra que meu filho insiste em dizer que precisa estar no dicionário), todos os blogs que encontro não são atualizados há séculos. E o sorriso não parou por aí. Fui no seu blog pra ver a música correspondente ao dia de hoje e encontrei "Mama África", isso enquanto tocava "Aos nossos filhos" na voz de Elis, no streaming que estava ouvindo. E sabe o que isso significa? Completamente nada. Mas fez eu acreditar mais ainda na frase que "felicidade de encontra é em horinhas de descuido".

Leonardo Davino disse...

Muito bom ler seu comentário. Significa muito para quem pesquisa e escreve. Agradeço. Abraço