Desde o Projeto 365 Canções (2010), o desafio é ser e estar à escuta dos cancionistas do Brasil, suas vocoperformances; e mergulhar nas experiências poéticas de seus sujeitos cancionais sirênicos.
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30 agosto 2026
Elogio ao toque
No livro ELOGIO AO TOQUE, Roberta Barros observa que “no Manifesto [antropófago] a antropofagia é arquetípica, relacionada a uma imagem do homem primitivo que vive em meio ao sol, cobra grande, jaboti, Jacy e Guaracy, desfrutando do mito de pleno ócio, festa e livre comunhão amorosa, longe da dimensão abjetual daquela mulher-mãe que lambuza o peito de sangue”. O livro passa em revista, implode e expande conceitos, ideias, leituras e críticas da "arte feminina à brasileira". Para tanto, Roberta se inscreve no debate, revelando suas referências éticas e estéticas, defendendo as próprias performances e, ao mesmo tempo, procura as raízes identitárias do povo brasileiro. O estado da arte, das ciências humanas, da psicanálise e da teoria feminista do século XX é o eixo que se ramifica para ensaiar respostas à pergunta "por que não houve grandes artistas mulheres no Brasil?". A autora elenca e revela um coro de mulheres, de Anita Mafalti a Ana Maria Maiolino, que ainda não foi devidamente ouvido. "Interessa-me ressaltar que, enquanto no exterior a luta aberta pelos direitos reprodutivos levou à conquista de métodos modernos de contracepção que permitiram separar com mais segurança a sexualidade da reprodução, logo, culminando na redescoberta do clitóris, aqui, no início da década de 1960, dominava o clima de moralização dos costumes, com a sintomática proibição presidencial do uso do biquini", lemos. A compreensão dos diferentes contextos ajudam Roberta a expandir conceitos como differance, imaginário, écriture féminine, subjetividade feminina, etc. Nesse trajeto crítico, "toque" é palavra que também se ressignifica, do substantivo ao verbo, e questiona estereótipos: "No percurso para a feminilidade, pois, o toque é reprimido e apenas autorizado mais tarde à mulher-mãe no que diz respeito ao despertar da sexualidade da prole, embora não mais em relação ao seu próprio corpo", lemos. Roberta Barros conclui apontando a "escassez de um discurso teórico que use alguma perspectiva feminista para propor leituras dessas obras", o que limita o trabalho das artistas e da crítica.
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