Desde o Projeto 365 Canções (2010), o desafio é ser e estar à escuta dos cancionistas do Brasil, suas vocoperformances; e mergulhar nas experiências poéticas de seus sujeitos cancionais sirênicos.
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07 junho 2026
Saídas da poesia
É sempre bom quando um autor que a gente admira e acompanha o desenvolvimento da reflexão crítica reúne textos publicados em lugares diversos num único volume. É o caso de SAÍDAS DA POESIA - DA CONTRAPOESIA ÀS POÉTICAS DA RESPOSTA, de Marcos Siscar. Os textos já lidos e agora relidos em conjunto ganham nova entrada. Leitor de Haroldo de Campos, por sua vez, leitor de Mallarmé, Siscar anota que "Uma possível história da poesia moderna seria a história da leitura de Mallarmé, no sentido de que cada poeta, cada tendência crítica, cada época, tem a sua maneira de ler Mallarmé e de atribuir sentido à poesia, como um todo, a partir daí". Isso faz todo sentido na perspectiva das "poéticas da resposta" e da "poesia em estado crítico", eixos crítico-temáticos que unem os textos do livro. Como o debate sobre forma me interessa, trechos em que o autor escreve "De Cabral a Ana Cristina Cesar, temos dois universos bem distintos de referência e de pensamento; mas, entre marxismo e filosofia, marxismo e psicanálise, marxismo e feminismo, não creio que seja o caso de estabelecer antagonismos e hierarquias, especular sobre superações ou retrocessos" se destacam. Ele completa: "O que me interessa no caso é que, tanto em Cabral quanto em Ana Cristina Cesar, vemos esforços de constituir uma relação crítica com a realidade, na busca não simplesmente de um lugar 'para' a poesia, mas de um lugar 'de' poesia, no qual a poesia seja performance de um modo de 'ter lugar'". Sempre presente no pensamento de Siscar, o tópico da crise (ideal e social) retorna, mas agora sob novas perspectivas, notadamente, do endereçamento. "Assumir o endereçamento como problema relevante dos estudos literários tem implicações que são tanto poéticas quanto críticas. A poética da resposta evidencia uma tomada de partido decisiva pelo real, mobiliza pela 'alteridade' do real. Ela requer, além disso, uma responsabilidade crítica que não se reduz à isenção, mas que também não dispensa o exercício do rigor". E esse exercício do rigor não falta ao professor, quando escreve sobre Caetano Veloso enquanto 'tradutor' vocal de Donne, reverberando Ana Cristina Cesar; ou quando anota que "O poema em prosa talvez seja o caso mais evidente e mais célebre de porosidade entre prosa e poesia, seja ele concebido como procedimento criativo, seja interpretado como passo histórico na direção da 'prosa'".
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