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09 agosto 2026
História da literatura brasileira
Originalmente publicada em 1972, com o título La letteratura brasiliana, a obra de Luciana Stegagno-Picchio integra o projeto Le Letterature del Mondo, coleção composta por cinquenta volumes dedicados às literaturas nacionais. No Brasil, HISTÓRIA DA LITERATURA BRASILEIRA foi lançado em 1997. Escrita pela filóloga e professora italiana de literaturas neorromânicas, a obra se destaca pelo olhar "estrangeiro" - aspas porque o volume passa em revista toda a formação de nossa literatura, demonstrando intimidade e crítica apuradas, muito embora reforce o mesmo teor objetivo, canonizante e metodológico de outros livros do gênero publicados no Brasil. Destacam-se as escolhas e a antologia que a professora efetivamente monta ao selecionar trechos de prosa e versos de poemas nem sempre óbvios. Interessa-me, por exemplo, o que a autora escreve sobre Sousândrade ("O seu 'Inferno de Wall Street', milagre de modernidade e de antevisão poética, se visto unicamente dentro de uma perspectiva local, adquire, para nós, novo significado quando inserido naquela cadeia pânico-demoníaca na qual se engastam todas as explosões de maravilha dos 'dos em Nova York'. Cadeia que tem, para nós, nomes como Walt Whitman, Ruben Darío, indo até o García Lorca de Poeta en Nueva York"); Oswald de Andrade ("É possível que Oswald tenha exercido conscientemente a mistificação na sua obra desmistificatória, radical e destrutiva; mas não há dúvida de que essa obra represente o núcleo criativo do Modernismo brasileiro, ou ao menos do Modernismo da primeira fase, autoral e literário, individualista e vanguardista"); João Cabral ("A estrutura em João Cabral revela o sentido"; "Poderia parecer que um poeta assim, desumanizado, fosse incapaz de amor. Ao invés, poucas poesias amorosas têm a profunda vitalidade de textos como 'Imitação da água', que aparece em Quaderna. E poucos romances-denúncia mostrarão um amor à terra como a Educação pela pedra, onde o mar aprende do canavial e onde o canavial aprende do mar, mas onde o homem aprende da pedra, dela capta a lição impessoal, a lição moral, a resistência fria, a lição estética, a carne concreta, a lição da economia, o adensar-se compacto"), etc. Com tradução de Pérola de Carvalho e Alice Kyoko, a HISTÓRIA DA LITERATURA BRASILEIRA da professora Lucina é muito mais do que mera divulgação de nosso nacionalismo literário, pois a autora pensa "Literatura brasileira como entidade cultural autônoma, sobre duas vertentes: a que delimita a civilização brasileira das civilizações americanas e latino-americanas, e a que isola uma cultura brasileira no âmbito das culturas produzidas por povos de expressão portuguesa".
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