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19 outubro 2025

O drama da linguagem


Durante muito tempo de minha formação eu tive o modo de escrita de Benedito Nunes como modelo. A forma como a sua vasta erudição está em busca de comunicação é admirável. Nunca o monólogo, sempre o diálogo. Por mais que o corpus sob leitura crítica seja autores considerados herméticos. Em O DRAMA DA LINGUAGEM a obra da Clarice Lispector se ilumina e se perspectiviza. "Autoconhecimento e expressão, existência e liberdade, contemplação e ação, linguagem e realidade, o eu e o mundo, conhecimento e animalidade, tais são os pontos de referência do horizonte de pensamento que se descortina na ficção de Clarice Lispector, como a dianóia intrínseca de uma obra na qual é relevante a presença de um intuito cognoscitivo, espécie de eros filosófico que a anima", lemos. O professor está interessado na concepção do mundo de Clarice. "Que mistério tem Clarice?", parece ecoa a perguntar da canção. "As relações práticas parecem consolidar e agravar, no mundo de Clarice Lispector, uma alienação sem remédio enraizada na própria existência individual", lemos. Nisso vive O DRAMA DA LINGUAGEM. "Com que roupa eu vou?", parece ser a pergunta da língua clariceana. Roupas que são palavras, pois "As palavras, que têm um poder imenso, formam o seu mundo, e também erguem um obstáculo à sua liberdade, um muro que a aprisiona e que a moça [de Perto do coração selvagem] inquieta conseguiria romper à custa de palavras novas que inventasse. A existência autêntica com que sonham essas individualidades dependeria da elaboração de palavras fluentes que incorporassem o real, que fizessem do dizer um modo de ser".

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