Desde o Projeto 365 Canções (2010), o desafio é ser e estar à escuta dos cancionistas do Brasil, suas vocoperformances; e mergulhar nas experiências poéticas de seus sujeitos cancionais sirênicos.
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05 outubro 2025
Chacal
A professora Fernanda Medeiros termina o texto "Pipoca moderna: uma lição – estudando canções e devolvendo a voz ao poema" (publicado no livro Palavra Cantada II) com considerações e perguntas que sempre me mobilizam: "A principal função da canção para o estudo da poesia escrita diz respeito ao seu papel de reeducador dos ouvidos, memória do corpo, poderoso exercício do pensamento analógico"; "O trabalho com canções, num curso de poesia, poderia representar uma entrada no universo dos sons e da voz, na tentativa de preparar os alunos para um futuro 'canto a capela' - o poema"; "(...) quais as etapas a serem seguidas na análise de canções? Qual o papel do estudo das canções numa cultura como a brasileira, em que se dispõe de um cancioneiro tão rico e tão 'literário'? Como selecionar e introduzir conceitos musicais nos cursos de Literatura?". No livro CHACAL, da coleção Ciranda de Poesia (EdUERJ), Fernanda ensaia respostas, lê ouvindo o "lirismo roqueiro" do poeta, em quem "Poesia e rock se irmanam na utopia de poder da linguagem em verso". Para a autora, "Trabalhando no plano dos puros significantes, investindo no efeito dos paralelismos léxicos e sintáticos, explorando o humor da paranomásia, construindo estruturas estróficas muito bem arquitetadas, Chacal parte da linguagem coloquial e ordena-a de modo a lhe dar o maior rendimento fônico possível". Ou seja, o ensaio de Fernanda ilumina a poesia por dentro, revela sentidos imprevistos numa leitura desatenta. A conclusão é notável: "(...) sendo a poesia uma arte da voz, a leitura de poesia será consequentemente a escuta de uma voz, ou seja, ler um poema será sempre refazê-lo em performance dentro de nós".
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