Desde o Projeto 365 Canções (2010), o desafio é ser e estar à escuta dos cancionistas do Brasil, suas vocoperformances; e mergulhar nas experiências poéticas de seus sujeitos cancionais sirênicos.
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12 outubro 2025
A anomalia poética
"O escritor é aquele que encontra as palavras e os ritmos para dizer o seu tempo: o tempo como tempo de mudança - memória, metamorfose, abertura ao outro que não é o futuro como cálculo mas sim algo que é da ordem do improvável, do que não emerge de uma necessidade prévia mas que na liberdade funda a sua própria necessidade. Recusa-se assim, sublinhe-se, qualquer subordinação da literatura à ficção ou à representação", lemos em A ANOMALIA POÉTICA, livro em que Silvina Rodrigues Lopes reúne ensaios "onde se colocam problemas centrais dos campos literário e artístico - a relação entre ficção e testemunho; a irredutibilidade do artifício à técnica nele implicada; o valor e a avaliação". Cada texto desdobra e aprofunda o anterior, levando quem lê a uma reflexão profunda sobre certezas e conceitos prévios. "A arte não é popularizável, não visa maiorias como um todo, mas destina-se apenas a cada um (independentemente da sua pertença a um grupo social, nacionalidade, etc.) que saia do seu papel de simples consumidor, isto é, que deseje", lemos. É esse desejo o que atravessa os ensaios de A ANOMALIA POÉTICA, desejo que Silvina deseja reativar em quem lê. "Não abdicar de pensar" é a seta e o alvo. "É que um poema não é consumível, nem é objeto de uma recepção, o que é idêntico. Um poema não é um objeto como os outros: não é um objeto; nunca é como os outros. É essa a sua, a nossa, anomalia poética", escreve a autora enquanto pensa sobre a condição ética da poesia; posto que "Quem constrói um poema constrói a sua assinatura, a sua morada, o seu testemunho" de vida; e "uma vida é uma anomalia (o que está fora da oposição normal/anormal), e por isso causa atrito, diferenciação".
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