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22 março 2026
Pensando nos trópicos
Dos muitos textos do professor Luiz Costa Lima a que sempre recorro, "Oswald, poeta" se destaca. Guardado no livro PENSANDO NOS TRÓPICOS, o texto cuja primeira versão veio a público em 1968, ou seja, imediatamente após o auge da retomada do poeta pelo cinema de Glauber Rocha, pelo Teatro Oficina, pela canção tropicalista e pela crítica acadêmica, parte da premissa de que "O entusiasmo provocado por Oswald antes terá flexibilizado o cotidiano de uma camada da classe média do que se transfundido em obras ficcionais ou analíticas. E suas obras hoje voltam a ser difíceis". Costa Lima registra a força que o engenho da poesia de Blaise Cendrars exerce sobre Oswald. Mas "Se tanto em Cendrars como em Oswald são evidentes a busca de um tom impessoalizado, a tentativa de aclimatar o corte cinematográfico e o uso do coloquial, não é menos flagrante que a poesia de Oswald assumia ainda outro rumo", lemos. Para Costa Lima, "A introdução do coloquial, portanto, não foi apenas o acréscimo de um recurso técnico; paralela a atenção prestada ao moderno, ao prosaico, ao acidental e à cena de rua, ela estabelece uma relação diversa da literatura com o país". O autor revisa a crítica à obra de Oswald e apresenta análises ético-estéticas de textos. Sobre quando Oswald monta poemas a partir de Caminha, temos "Em lugar do documento, a revelação da surpresa, que já não pode ser revivenciada senão sob o modo da ficção". Apreende-se que corte e intitulação são técnicas oswaldianas que eliminam o exótico pela surpresa. PENSANDO NOS TRÓPICOS reúne outros textos importantes sobre crítica, antropofagia, controle do imaginário, Sebastião Uchoa Leite, Augusto dos Anjos, Bernardo Guimarães, entre muito mais da verve e do interesse do autor.
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