Desde o Projeto 365 Canções (2010), o desafio é ser e estar à escuta dos cancionistas do Brasil, suas vocoperformances; e mergulhar nas experiências poéticas de seus sujeitos cancionais sirênicos.
Pesquisar canções e/ou artistas
08 março 2026
... De tudo que a gente sonhou: amigos e canções do Clube da Esquina
A pergunta do título do texto de Ruth Finnegan é uma boa provocação - "O que vem primeiro: o texto, a música ou a performance?" -, afinal, como a autora defende, quem lê criticamente uma canção precisa manejar e equilibrar conhecimentos de texto, melodia e voz. Finnegan conclui que "em última instância, tudo de que precisamos é de um ouvido que escute e de uma voz que soe". No livro "... DE TUDO QUE A GENE SONHOU" AMIGOS E CANÇÕES DO CLUBE DA ESQUINA Sheyla Castro Diniz coloca em ação esse ouvido à escuta de vozes fundamentais. A partir de vasta revisão bibliográfica e historiográfica (iconografia e entrevistas) e leitura comparada com outras cenas musicais do período, Sheyla realiza trabalho de interpretação da semiose das canções, do contexto e dos afetos que compõem o Clube da Esquina. A autora tensiona o 'mito da mineiridade' ("expressa através das letras, das opções sonoras, dos títulos e das capas de alguns discos") e as formas de 'resistência cultural' em tempos de ditadura militar. Destaco e leitura de "Como vai minha aldeia", em que, lemos, "sob o impacto da notícia [do assassinato de Che Guevara], ele [Márcio Borges] retratou o 'povo' brasileiro e latino-americano como um sujeito social desprovido de orientação ideológica e de condições estruturais para intervir e modificar sua história". Sheyla escreve que "A heterogeneidade de gostos, experiências, trajetórias e concepções de mundo de que dispunham os jovens artistas do Clube da Esquina enriqueceu as parcerias que eles aos poucos estabeleciam". Se para Finnegan, "a ‘letra’ de uma canção em certo sentido não existe a menos e até que seja pronunciada, cantada, trazida à tona com os devidos ritmos, entonações, timbres, pausas; tampouco a canção tem "música" até que soe na voz"; para Sheyla, concomitante à leitura das letras críticas do Clube, há a defesa da performance vocal, notadamente de Milton Nascimento, e dos arranjos ("No processo de gravação do álbum Clube da Esquina, os músicos não se limitaram aos seus instrumentos específicos") enquanto marcas distintivas dessa poética-da-amizade e que "... DE TUDO QUE A GENE SONHOU" AMIGOS E CANÇÕES DO CLUBE DA ESQUINA faz o importante trabalho de assentar na crítica lítero-musical brasileira.
Assinar:
Postar comentários (Atom)

Nenhum comentário:
Postar um comentário