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01 março 2026

Vidas da voz: um ensaio sobre a proximidade


Paralelo ao título, o livro VIDAS DA VOZ: UM ENSAIO SOBRE A PROXIMIDADE despertou minha atenção desde a primeira frase: "Quando penso em minha mãe, [...], nunca consigo ouvir sua voz". Autor dos excelentes "Produção de Presença: o que o sentido não consegue transmitir", "Nosso amplo presente - o tempo e a cultura contemporânea" e "Graciosidade e Estagnação: Ensaios escolhidos", Hans Ulrich Gumbrecht se desafia aqui a anotar a "descontinuidade ontológica que atravessa o nó da voz". Para tanto, o professor coloca em rotação uma vasta revisão conceitual - dos gregos às vozes tecnologicamente mediadas, passando pela vivacidade da imaginação desencadeada por vozes -, aliada a casos particulares, como a voz (agradável e eficaz à função materna) de sua mãe e a voz (desagradável, porque incoerente com a função paterna) de seu pai. Chegando à conclusão de que "Pensar sobre vozes impulsionou ainda mais o senso de proximidade como dimensão existencial - mesmo que somente entendamos que conceitos e argumentos não sejam suficientes para compreender o que está em jogo no que se refere a vozes". Essa proximidade (com o leitor, no caso) é potencializada pela tradução de Nicolau Spadoni. Em VIDAS DA VOZ: UM ENSAIO SOBRE A PROXIMIDADE, Gumbrecht aponta quatro estágios históricos da configuração de voz, a saber, "a eficiência retórica, a encarnação teológica, a aura estética e o enfoque atual sobre camadas individuais de sons". Para ele, "Cantar dissolve as relações sempre tensas entre a vontade e os corpos controlados pela razão, entre o substrato sonoro e palavras controladas pela produção de sentido". Mas alerta: "O fascismo se fundou sobre eventos meticulosamente encenados de performance vocal para grandes públicos como ritual central da política fonocêntrica e usou as tecnologias de gravação e rádio para multiplicar seu número de ouvintes". 

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