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08 fevereiro 2026

Juventude eterna


"É preciso, na medida do possível, nos colocarmos não perante os poetas, mas em meio aos poetas, e nos esforçarmos para experimentar o mito como eles fizeram e fazem". A mirada de Eduardo Sterzi encapsula o livro JUVENTUDE ETERNA, um intenso elogio à poesia, ao poema e ao poeta. Sterzi convida o leitor ao contágio com o mundo e a vida que os poetas mitologizam no poema, essa "tradução intersemiótica do que diz, sem dizer". Para tanto, o autor analisa o "compromisso com a experiência poética" presente na poesia de, por exemplo, Paulo Leminski: "aos deuses mais cruéis / juventude eterna // ele nos dão de beber / na mesma taça / o vinho, o sangue e o esperma". Os versos de Leminski servem de mote para o ensaio de Sterzi, em que ainda aparecem Torquato Neto, Waly Salomão e outros poetas da experiência contracultural e de quando "a poesia cantada passa a ser vista como tão importante quanto aquela para ser lida". JUVENTUDE ETERNA ainda presta justa revisão e reintrodução da obra e do pensamento de Décio Pignatari. E assim Sterzi alerta para o fato de que "Não é só a brutalidade capitalista que ameaça a vida e a poesia; também a caretice do discurso político pode ser fatal".

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