Desde o Projeto 365 Canções (2010), o desafio é ser e estar à escuta dos cancionistas do Brasil, suas vocoperformances; e mergulhar nas experiências poéticas de seus sujeitos cancionais sirênicos.
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15 junho 2025
Desassossego em cena
DESASSOSSEGO EM CENA é mais do que "Fernando Pessoa nas canções-poemas de Maria Bethânia". É trabalho exemplar daquilo que Roland Barthes chamou de "saber e sabor". A professora Lívia Gayoso coloca em ação uma sensibilidade cada dia mais rara, aliada a uma verve de pesquisadora com foco intenso sobre seu corpus. O livro revela os procedimentos estéticos de Maria Bethânia, seu modo de costurar palavra escrita com palavra cantada, poemas e letras, compondo um texto, não uniforme, mas plurissignificativo e potencializado na voz da cantora santamarense. "No contexto brasileiro contemporâneo, observamos Maria Bethânia, cantora e intérprete de música popular, como uma concreta representante desse amálgama, na medida em que leva até os palcos, em suas performances teatro-musicais, uma carga cênica extraída da justaposição entre a canção e o poema, atitude que se repete, de maneira metódica, por meio de roteiros estruturados como fios que se entrelaçam para uma tessitura semântica, ao longo de mais de 50 anos de carreira", conclui Lívia, depois de passar em revista essa longeva jornada de uma intérprete que, pelo procedimento analisado em DESASSOSSEGO EM CENA, coassina na voz as peças que seleciona para misturar, cortar, emendar, tensionar, rasurar, para assim compor uma obra singular, sua, bethânica. "É relevante ressaltar que, em ambos os textos, tanto o poético, quanto o musical, podemos retirar vários versos ou até mesmo palavras que nos servem como índices, daquilo que foi até agora analisado", escreve Lívia ao comentar a emenda entre "Aniversário", de Álvaro de Campos, e "Uma canção desnaturada", de Chico Buarque; textos que isolados parecem contrastantes, mas que Maria Bethânia faz dialogar em sua cena desassossegada, como bem mostra o livro DESASSOSSEGO EM CENA.
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