Desde o Projeto 365 Canções (2010), o desafio é ser e estar à escuta dos cancionistas do Brasil, suas vocoperformances; e mergulhar nas experiências poéticas de seus sujeitos cancionais sirênicos.
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23 março 2025
Música - o nacional e o popular
Tem livros que guardam verdadeiras pérolas. É o caso do número MÚSICA da série "O nacional e o popular na cultura brasileira", lançado em 1982, quando a historiografia da nossa cultura e o debate em torno do nacionalismo ganhavam novo fôlego, após os anos de chumbo da ditadura militar. O volume guarda textos de Enio Squeff e de José Miguel Wisnik. Enquanto o primeiro se questiona sobre como historiografar a música no Brasil, ou como a música historiografa (arquiva, rompe e revolve) o Brasil, tensionando "a mesma estrutura que privilegia uma indústria cultural relativamente sofisticada na sua malícia, para que maior seja a dominação de todo um sistema"; o segundo faz "um convite ao erro". Wisnik sabe que "as massas urbanas, cuja presença democrático-anárquica no espaço da cidade (nos carnavais, nas greves, no todo-dia das ruas), espalhada pelos gramofones e rádios através do índice do samba em expansão, provoca estranheza e desconforto". É esse "desconforto", esse "erro" civilizacional de matriz teórica oswaldiana o que distingue aquilo que o autor defende como "gaia ciência" brasileira. Para Wisnik, "a conjunção entre o nacional e o popular na arte visa à criação de um espaço estratégico onde o projeto de autonomia nacional contém uma posição defensiva contra o avanço da modernidade capitalista, representada pelos sinais de ruptura lançados pela vanguarda estética e pelo mercado cultural (onde, no entanto, foi se aninhar e proliferar em múltiplas apropriações um filão da cultura popular)". Por essas e outras tiradas o texto "Getúlio da Paixão Cearense (Villa-Lobos e o Estado Novo)" merece estar na biblioteca de quem se interessa por cultura, música e política no Brasil.
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