Pesquisar canções e/ou artistas

09 novembro 2025

Antropofagia - Palimpsesto Selvagem


"Antropofagia – Palimpsesto Selvagem é talvez a primeira leitura realmente microscópica do Manifesto Antropófago, texto fundacional para a sensibilidade cultural contemporânea, tanto “aqui dentro” como, cada vez mais, “lá fora”. O livro de Beatriz Azevedo é um close reading de valor histórico, didático e analítico inestimável", escreve Eduardo Viveiros de Castro no Prefácio do livro de Beatriz Azevedo. E diz tudo! Desde a montagem do Sumário, Beatriz devora o gesto oswaldiano de escrever seus manifestos. No Aperitivo há a exposição da metodologia e apresentação do corpus (texto no contexto); na Entrada a cena modernista; no Primeiro Prato a Revista de Antropofagia e o Manifesto; no Prato Principal os aforismos microscopicamente lidos; no Banquete, a proposta crítica de Beatriz; e ainda temos Sobremesa, Cafezinho e Licor para que o leitor possa se refastelar com o pensamento inventivo de Oswald. "Para começar, parece-me que esse Manifesto de Oswald de Andrade pretende devorar outros manifestos. E o primeiro deles, a meu ver, seria o “Manifesto Comunista” de 1848. Em uma possível “resposta” ao manifesto de Marx e Engels (que acaba com a já célebre frase “Proletários de todo o mundo, uni-vos”), apropriando-se do mesmo verbo – unir – Oswald esculpe a primeira frase de seu manifesto. Num oroboros, o final de um manifesto pode ser lido como o início de outro, sugerindo uma questão cíclica e inconclusa", escreve Beatriz no Prato principal, lendo o primeiro aforismo. Sobre o aforismo 13, que muito me interessa, a autora observa: "Minha percepção a respeito do “ouvido musical” de Oswald, atendendo ao “mundo auricular”, e dando mais valor ao que “ouve” do que ao que “houve”, parece se confirmar por esse aforismo 13, inspirado num Maxixe muito popular na década de 1920, chamado exatamente “Cristo nasceu na Bahia”". Ao final, resultado da Dissertação de mestrado apresentada ao Programa de Pós-Graduação do Departamento de Teoria Literária e Literatura Comparada da FFLCH da USP, ANTROPOFAGIA - PALIMPSESTO SELVAGEM come e devolve o mel do melhor do Manifesto.

Nenhum comentário: