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11 maio 2025

Saco de gatos


Entre os textos que no calor da hora tentaram entender a nova lírica nacional engendrada pela canção popular advinda dos Festivais da Canção, cujo público (e torcida) era majoritariamente de jovens universitários, está "MMPB: uma análise ideológica", da professora Walnice Nogueira Galvão. Para ela, em 1968, "A Moderna Música Popular Brasileira apresenta uma proposta nova dentro da tradição. Surgida do desenvolvimento da Bossa Nova, que por sua vez já constituiu uma renovação radical da canção, se por um lado persiste na linha intimista que foi a marca registrada da Bossa Nova, por outro lado compõe um projeto de 'dizer a verdade' sobre a realidade brasileira". A autora passa a comentar as letras de várias dessas canções, em que se "impõe um compromisso de interpretação do mundo que nos cerca, particularmente em suas concreções mais próximas, brasileiras". Assim, "A MMPB se caracteriza, portanto, por uma intencionalidade informativa e participante". A canção engajada de Vandré, evidentemente, recebe destaque. Nelas, "O sertão, o morro, a favela, o estilo de vida dos homens que neles vivem e morrem, são mostrados em sua realidade feia", lemos. Essas canções projetam a melhoria da vida em "o dia que virá", aponta Walnice. "Esperança, na MMPB, significa inação. Esperar significa postergar para o futuro. Vai implícita uma justificação do presente, em função da confiança na autonomia do futuro". A autora aponta a novidade na obra de Caetano Veloso, com sua "ruptura metropolitana", entre outras vozes que expandem o discurso de protesto. Chico Buarque é outro que tem as metacanções lidas pela autora. O texto guardado no livro SACO DE GATOS, livro com ensaios que vão de Euclides da Cunha a Guimarães Rosa, passando por Drummond e Cortázar, é um ótimo registro do calor da hora. 

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