Desde o Projeto 365 Canções (2010), o desafio é ser e estar à escuta dos cancionistas do Brasil, suas vocoperformances; e mergulhar nas experiências poéticas de seus sujeitos cancionais sirênicos.
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03 maio 2026
A máquina performática
Importante quando no início do livro A MÁQUINA PERFORMÁTICA Gonzalo Aguilar e Mario Cámara nos lembram que "o crítico literário é treinado para lidar com textos, é educado para lançar-se sobre a escrita e é frequentemente indiferente ou cego às práticas" e que a proposta do livro, "A ideia é convocar a performance para mostrar que sua presença transforma as leituras possíveis de uma obra. Não é algo acessório ou ornamental, são as atualizações, as singularidades espaço-temporais que toda publicação evoca, mesmo que seja como ausência ou vazio". Ao analisar "a literatura no campo experimental", os autores analisam as relações entre literatura e outras artes, prática ontológica do fazer artísticas, mas "esquecido" ao longo do processo de privilégio da escrita, como reserva do intelecto, sobre a música, as artes plásticas, o teatro, etc. A tradução de Gênese Andrade nos ajuda a compreender que "Os dois manifestos de Oswald de Andrade, com sua prosa seca e cortante, com seu senso de humor e ironia, deveriam ser pensados, além de uma série de princípios estéticos, éticos e políticos, como peças de oratória estratégicas para contrapor o predomínio de uma retórica oca e rasteira que sobrevivia desde a época da Colônia", por exemplo. A partir da leitura de poemas selecionados, Gonzalo Aguilar e Mario Cámara comentam essa contraposição retórica. E isso nos ajuda a pensar as trocas entre as artes no Brasil do século XX, o uso do grito por Gal Costa no show FA-TAL em 1970, em plena ditadura militar, por exemplo. Os procedimentos de poetas letristas como Torquato Neto, Waly Salomão, Paulo Leminski, Cacaso, todos também críticos da cultura vigente. A MÁQUINA PERFORMÁTICA organiza métodos, inovações e intuições: "(...) até Poetamenos [de Augusto de Campos, 1953], a leitura em voz alta dos poemas se definia ou por sílabas (longas e breves), como na poesia latina, ou pela versificação, a acentuação e as rimas", lemos, nos sugerindo que as propostas dos poetas concretos promovem um meio (de ação, de performance da língua e da linguagem) entre Oswald e Gal. Daí o destaque que os autores dão à verbivocovisualidade na máquina performática que a literatura no campo experimental é.
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