Desde o Projeto 365 Canções (2010), o desafio é ser e estar à escuta dos cancionistas do Brasil, suas vocoperformances; e mergulhar nas experiências poéticas de seus sujeitos cancionais sirênicos.
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24 maio 2026
Música do mundo
A primeira ("acontece") e a última ("defende") palavras de MÚSICA DO MUNDO emolduram bem um livro que pensa a poesia, aquilo que acontece graças ao poema, e, concomitantemente, promove a defesa da presença da crítica do poema na educação humana. O "especialista" vai encontrar aqui um método de bem organizar um paideuma crítico (de Octavio Paz, de onde o título MÚSICA DO MUNDO vem, a Paulo Leminski, passando por Wislawa Szymborska) e poemático (de João Cabral a Caetano Veloso, passando por María Zambrano), que resulta num ensaio de fôlego e de comunicação rápida; e o "leigo" vai ser convidado a repensar o lugar da poesia no cotidiano: "Mais que útil, a poesia é essencial", lemos. "Do épico ao soneto, do haikai ao poema visual, do repente ao rap, dos hino às odes, cantigas, canções e muitas outras variações, é sempre de poesia e poemas que estamos falando", escreve Tarso de Melo, já no primeiro parágrafo do livro. Para ele, "leituras técnicas, teóricas, críticas, históricas, sociológicas, psicológicas, releituras poéticas... todas são válidas e se complementam. Ou melhor: são válidas quando se complementam e compilam as possibilidades de leitura do poema". A partir dessa premissa, MÚSICA DO MUNDO adentra trás, na frente, em cima, em baixo, entre o "caracol" que o poema é. "As formas são históricas, são sociais", lemos. A mim me interessa o debate sobre linguagens, afinal, "o poema leva uma mensagem em sua forma", daí que trechos sobre desautomatização, oralidade e performance poemática se destacam: "Por ser, formas, criar e propagar a realidade, a linguagem é tão concreta, material e viva quanto qualquer outro elemento da realidade. E isso nos interessa bastante aqui porque o poema, como um objeto construído, esculpido, moldado com essa matéria, não só carrega, mas potencializa essas mesmas características", lemos aqui; "questionar se uma letra funciona como poema, quer dizer, sem o arranjo musical de que faz parte é, a meu ver, o mesmo que perguntar, diante de um poema concreto ou de um poema-performance, se ele funciona 'apenas como texto'", lemos ali. Como "a verdade do poema é ele mesmo", MÚSICA DO MUNDO mostra que "interessa olhar para os poemas como essa espécie de escultura das palavras, que não pode ser repetida num material diferente" e que, "de Homero a Mano Brown, os poetas que chegam aprendem poesia com seus 'modelos', e isso não é algo superficial", de fato, isso tem promovido a experiência poética ao longo do tempo.
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