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13 julho 2025

Martinho da Vila tradição e renovação


"Se pudesse reduzir o Brasil ideal a apenas um ser humano, este seria o próprio Martinho da Vila". A frase encerra o prefácio/depoimento de Sergio Cabral em MARTINHO DA VILA TRADIÇÃO E RENOVAÇÃO, livro em que João Baptista Vargens e André Conforte assumem o trabalho de confirmar a tese de Cabral, ou seja, Martinho é o Brasil ideal, que "devagar, devagarinho" faz a gente chegar lá na afirmação da vida. "Após ler e fazer umas tantas anotações à margem de suas letras (ouvindo, sempre que possível, as canções poque acho importantíssimo perceber o diálogo letra-música), acho que poderia dar-me a pretensão de resumir a poética de Martinho da Vila em uma palavra: afirmação", escreve Conforte, dando também a metodologia da pesquisa e da escrita do livro. A obra de Martinho é passada em revista com rigor e prazer; com ênfase na metalinguagem, ou seja, nas canções que tratam do canto, do cantar, de canções. Evidentemente, o samba tem destaque e as diferenças entre os vários modos de fazer samba - enredo, terreiro, de roda, canção -, e a competência com que Martinho transita entre todos, ajuda a iluminar o talento do artista. Entre crônicas e defesas, tristezas e alegrias, política e dança, sargentos e malandros, Martinho é apresentado como um potencializador do gaio saber brasileiro, pois fala de si falando de muitos, "por quem existe nesses climas / condicionados pelo sol", como escreveu João Cabral de Melo Neto sobre Graciliano Ramos. Não cito autores de livro à toa, pois há nas letras de Martinho um tratamento literário singular e distintivo de sua dicção. MARTINHO DA VILA TRADIÇÃO E RENOVAÇÃO cumpre a bela função de mostrar que se "Ninguém aprende samba no colégio", urge à academia aprender (e muito) com o samba de Martinho.

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