Pesquisar canções e/ou artistas

12 julho 2026

Rua Cosme Velho 18


Adoro livros que me levam a outros livros, leituras que se desdobram, que viram pesquisa, anotação, texto. Estava lendo "Deus-dará", de Alexandra Lucas Coelho, quando vi a referência a um livro que registra o processo de restauro da mobília da casa onde moraram Joaquim Maria Machado de Assis e Carolina Novaes Machado de Assis: RUA COSME VELHO, 18. O narrador de Alexandra menciona a famosa carta de Joaquim Nabuco a Graça Aranha, em que lemos " (...) Lá se foi o nosso Machado! (...) Eu sou muito contrário à ideia de estátua. A estátua para ser digna dele teria que ser uma grande obra. A melhor ideia, grande demais pra nós, seria comprar a casa e conservar tudo tal qual. Essa é a maior prova de veneração da posteridade. Lembra-se da nossa visita à casa de Voltaire? O pensamento mais delicado desse gênero que eu saiba é o dos Americanos, que em Cambridge compraram o espaço defronte da casa de Longfelow, para conservar intacta a perspectiva que tinha o poeta". A carta de Nabuco revela nosso problema com a guarda da memória de nossas personalidades. Como sabemos, o gracioso chalé foi demolido. Quantos pesquisadores viajam a Europa e mesmo aos EUA e mesmo a outros países latino-americanos para visitar a casa (refúgio, espaço de criação e lugar de vivências) de poetas, escritores cuidadosamente cuidada e (sendo sempre esse o ponto) capitalizada? Pois bem, nem Machado de Assis teve esse "privilégio" entre nós. Mas achei o livro RUA COSME VELHO, 18. É uma delícia imaginar a circulação das pessoas da convivência de Machado e Carolina entre esses objetos, hoje de propriedade da UFRJ, mas em comodato na ABL. "As folhas das árvores, as cadeiras, os livros, os objetos, tudo dava conta de uma comunhão", escreve Alexandra. "O mobiliário machadiano reflete a tendência geral de 'importação do estilo francês'. Era construído no país, com madeira brasileira, por artífices nacionais ou estrangeiros residentes, mas seguindo a influência dos estilos europeus, com inserção apenas de sutis interpretações à maneira brasileira", anotam Luís Anselmo Maciel Filho e Ivan Coelho de Sá. E isso diz tanto do procedimento crítico do "bruxo do Cosme Velho".

Nenhum comentário: