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05 julho 2026

João Gilberto e a insurreição bossa nova


"Relegada ao fundo do quadro, até por óbvia, já que transita também entre os primais samba e jazz, a ala afro da bossa nova é mandatária, embora nunca tenha sido destacada pelos historiadores. Vale lembrar que os batuques, mitos e rituais africanos vieram importados compulsoriamente nos corpos e almas dos negros escravizados, que aqui aportaram durante mais de três séculos". A anotação de Tárik de Souza dá o tom de um livro que debate a malfadada máxima de que a bossa nova é gênero branco, elitista e zonasulista carioca. JOÃO GILBERTO E A INSURREIÇÃO BOSSA NOVA é a história a contrapelo, uma abordagem crítica escrita por quem experimentou boa parte dos fatos. O conhecimento de Tárik é impressionante. "A bossa ficou tão popular que o pai do brega, o tenor de opereta Vicente Celestino (1894-1968), autor de canhonaços como 'O ébrio' e 'Coração materno' aventurou-se, em 1959, nas planícies de 'Se todos fossem iguais a você', clássico de Tom e Vinicius, lançado na peça 'Orfeu da Conceição'", lemos. No centro do debate está João Gilberto, baiano de Juazeiro. Sobre a pérola "Chega de saudade", "apesar da estrutura tradicional da composição, a gravação lançada em agosto de 1958 por João Gilberto, com sua emissão minimalista, de barítono propositivo mas discreto, levemente anasalada e, andrógina, iria promover uma hecatombe no acomodado mercado da época, e iniciar oficialmente a insurreição bossa nova. Tudo em apenas 1 minuto e 59 segundos", destaca Tárik. Desde a fusão samba e jazz de Johnny Alf, o livro JOÃO GILBERTO E A INSURREIÇÃO BOSSA NOVA evoca, homenageia e dá crédito a toda uma constelação de artistas de várias origens e assinaturas que construíram a mitologia bossanovista enquanto arte de exportação musical brasileira. "Aos que teimam em olhar a bossa nova pelo retrovisor, como peça de museu, a dificuldade de fechar este livro atesta contra. Desde que coloquei o ponto-final, não pararam de pipocar notícias envolvendo o gênero e seus artífices", escreve Tárik no Post Scriptum, deixando o recado de que ainda há muito para ser pesquisado e, quiçá, preconceitos enfrentados. 

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