Desde o Projeto 365 Canções (2010), o desafio é ser e estar à escuta dos cancionistas do Brasil, suas vocoperformances; e mergulhar nas experiências poéticas de seus sujeitos cancionais sirênicos.
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09 fevereiro 2025
Canção popular no Brasil
A saudosa colega professora Santuza Cambraia Naves deixou para nós, amantes e pesquisadores de canção popular, textos memoráveis. No livro CANÇÃO POPULAR NO BRASIL, Santuza desenvolveu o conceito de "canção crítica", unindo conhecimentos da Etnomusicologia e da Teoria da Canção, com o objetivo de apresentar "o compositor como intelectual da cultura". Os argumentos e os exemplos demonstram o admirável conhecimento da pesquisadora. Com recorte temporal a partir do final dos anos 50 e ao longo dos anos 60, "época em que a canção popular tornou-se o lócus por excelência dos debates estéticos e culturais, suplantando o teatro, o cinema e as artes plásticas", Santuza observa que "o compositor passou a atuar como crítico no próprio processo de composição, (...) fazendo uso da metalinguagem, da intertextualidade e de outros procedimentos que remetem a diversas formas de citação, como a paródia e o pastiche. E ao estender a atitude crítica para além dos aspectos formais da canção, o compositor popular tornou-se um pensador da cultura". Santuza investiga a íntima relação entre cultura letrada e cultura oral, marca na cultura brasileira. Para ela, por exemplo, "é impossível entender a canção tropicalista somente a partir dos seus elementos poético-musicais, (...), a canção tropicalista só se realiza completamente não apenas através da voz (e de outros transmissores musicais), como também do corpo, já que os tropicalistas assumem radicalmente o palco através de diversas máscaras e coreografias", lemos, entre outras miradas importantes em CANÇÃO POPULAR NO BRASIL.
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