Desde o Projeto 365 Canções (2010), o desafio é ser e estar à escuta dos cancionistas do Brasil, suas vocoperformances; e mergulhar nas experiências poéticas de seus sujeitos cancionais sirênicos.
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05 janeiro 2025
A voz e a letra
Flora Süssekind é autora cujos textos estão sempre na mesa de trabalho de quem pensa arte e cultura no Brasil. A VOZ E A SÉRIE é desses livros que me interessam pelos recortes temáticos. Virgínia Woolf, João Cabral, Augusto de Campos, João Gilberto Noll são alguns dos escritores que têm suas obras lidas sob a mirada sempre enriquecedora de Flora. Sobre Cabral, lemos que "a densidade alcançada pelo sistema expressivo cabralino resulta, em parte, da reelaboração crítica, nele operada, de elementos fundamentais da poesia narrativa colonial e da literatura brasileira moderna". E mais, que o propagado cabralino "afastamento da musicalidade, do auditivo, [...] se faz acompanhar, no entanto, meio paradoxalmente, de uma proliferação de referências, na obra de João Cabral, a sotaque, fala, ritmo, dicção, timbre, acento, voz". Para a autora, Cabral engenha uma literatura que acentua "uma obrigação bidimensional, uma tensão expressiva que, por vezes, tende mesmo a se dramatizar literalmente em sua obra". A VOZ E A SÉRIE reúne textos em que o tempo é ponto de convergência. Como enformar o tempo? A pergunta parece atravessar os textos. Há uma "Tensão entre o tempo-que-passa e os momentos de suspensão temporal que, de certo modo, se aproxima do paradoxo que é a presença do tempo em meio a coisas imóveis, traço característico das naturezas-mortas, particularmente saliente num quadro, bastante conhecido, de Cézanne, cuja figura dominante é um 'Relógio de Mármore Negro'", lemos no texto sobre Virgínia Woolf.
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