Desde o Projeto 365 Canções (2010), o desafio é ser e estar à escuta dos cancionistas do Brasil, suas vocoperformances; e mergulhar nas experiências poéticas de seus sujeitos cancionais sirênicos.
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21 setembro 2025
Cinco voltas na Bahia e um beijo para Caetano Veloso
"Continuo a achar que não há ateus no Brasil, mas eu própria já não serei a ateia que era quando escrevi essa crônica. Não por causa de deus, mas por causa do Brasil que vivi", lemos em CINCO VOLTAS NA BAHIA E UM BEIJO PARA CAETANO VELOSO. Gosto de livros de brasilianistas, ou seja, de estrangeiros leitores da brasilidade. Em geral, quando não carregado de estereótipos românticos, esses textos revelam significantes que nós, por estarmos imersos na questão, não percebemos com a criticidade necessária, promotora de debate. Em CINCO VOLTAS NA BAHIA E UM BEIJO PARA CAETANO VELOSO, Alexandra Lucas Coelho se arrisca ao tentar fazer do olhar-de-fora um potencializador anti-exótico das marcas de brasilidade. A prosa envolvente guia quem lê por uma Bahia que reverbera uma reserva de belezas intocadas. Para tanto, o cancioneiro de Caetano Veloso é fundamental. Se, como ele declara em "Trilhos urbanos", seu trabalho é traduzir sua terra natal, Santo Amaro, com ouvido aberto e atento, Alexandra Lucas Coelho retraduz esse gesto. "A Bahia é o primeiro lugar entre Portugal e Brasil. Inicia a nossa cronologia e a nossa dificuldade. O que nos ligou será o que nos separa, está no meio de nós, como o Atlântico e a linha do Equador. Mas também em muitos de nós como biografia, letras e músicas, dentes e músculos", lemos. Para a autora, "A retórica da 'lusofonia' não tem sentido para mim. Lusofonia não é palavra para designar um conjunto de países, porque o prefixo luso diz respeito a Portugal e não à língua, Portugal não é dono da língua e é uma pequena parte dos seus falantes". É interessante também o modo como a autora lê letras de canção, com muita informação historiográfica - "Triste Bahia", por exemplo, o soneto atribuído a Gregório de Matos e devorado e cantado pelo também baiano Caetano.
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