Desde o Projeto 365 Canções (2010), o desafio é ser e estar à escuta dos cancionistas do Brasil, suas vocoperformances; e mergulhar nas experiências poéticas de seus sujeitos cancionais sirênicos.
08 fevereiro 2026
Juventude eterna
"É preciso, na medida do possível, nos colocarmos não perante os poetas, mas em meio aos poetas, e nos esforçarmos para experimentar o mito como eles fizeram e fazem". A mirada de Eduardo Sterzi encapsula o livro JUVENTUDE ETERNA, um intenso elogio à poesia, ao poema e ao poeta. Sterzi convida o leitor ao contágio com o mundo e a vida que os poetas mitologizam no poema, essa "tradução intersemiótica do que diz, sem dizer". Para tanto, o autor analisa o "compromisso com a experiência poética" presente na poesia de, por exemplo, Paulo Leminski: "aos deuses mais cruéis / juventude eterna // ele nos dão de beber / na mesma taça / o vinho, o sangue e o esperma". Os versos de Leminski servem de mote para o ensaio de Sterzi, em que ainda aparecem Torquato Neto, Waly Salomão e outros poetas da experiência contracultural e de quando "a poesia cantada passa a ser vista como tão importante quanto aquela para ser lida". JUVENTUDE ETERNA ainda presta justa revisão e reintrodução da obra e do pensamento de Décio Pignatari. E assim Sterzi alerta para o fato de que "Não é só a brutalidade capitalista que ameaça a vida e a poesia; também a caretice do discurso político pode ser fatal".

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