Desde o Projeto 365 Canções (2010), o desafio é ser e estar à escuta dos cancionistas do Brasil, suas vocoperformances; e mergulhar nas experiências poéticas de seus sujeitos cancionais sirênicos.
20 abril 2025
Cultura pós-nacionalista
Talvez também como consequência de escolhas pessoais, de sua postura diante do sistema e da vida literária, Décio Pignatari é da trindade concretista o autor que mais ainda espera revisão crítica de sua obra. Reflexões como "Quando surge o poesia escrita, as malhas sociais já começaram a emaranhar-se, e o poeta vê reduzindo-se seu auditório, até que suas excogitações poéticas se transformam no monólogo dos dias atuais. (...) Sinto-me aventurado a creditar que o poeta fez do papel o seu público, moldando-o à semelhança de seu canto, e lançando mão de todos os recursos gráficos e tipográficos, desde a pontuação até o caligrama, para tentar a transposição do poema oral para o escrito, em todos os seus matizes" nos iluminam na compreensão da verbivocovisualidade defendida na "Teoria da poesia concreta". Dentre os textos de Pignatari, gosto de voltar com frequência a CULTURA PÓS-NACIONALISTA. "Este livro contém o principal do meu pensamento, desenvolvido ao longo de décadas, sobre um sonhado Brasil internacionalista", lemos no final da Apresentação. "Internalizando o problema num processo tendente a superar a temática pela língua e a língua pela linguagem, Machado de Assis coloca a questão da 'cultura nacional' numa outra plataforma de interpretação", lemos num dos primeiros textos do livro, originalmente publicado na Folha de S. Paulo em 17/02/1985. "Tanto a ciência como a arte são sistemas de signos que geram outros sistemas de signos; portanto, o estudo das relações entre a Ciência e a Arte é um estudo de comparações e confrontos entre diferentes sistemas de signos - e este estudo é objeto da Semiótica", lemos noutro texto de CULTURA PÓS-NACIONALISTA, sendo a Semiótica uma das grandes áreas a qual Décio Pignatari tanto de dedicou.

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